Reencontro
Os cavalos correm...Galope ...Galope...Galope...Galope!
Ao som da Overture de Carmen! Galopam trepidantes os cavalos!
Passam rios, passam vales, descem e sobem e agitam suas crinas!
Correm em direção ao fim – sim! Todos ao fim! Eu corro e voo no sentido oeste!
Sempre oeste.
De súbito levanta-se da cama e percebe seus pés fora cama. Sempre temera os limites de sua cama. Para ele o abismo estava por toda parte. Em suas fantasias vampiros existiam e ao apagar da luz estavam ávidos por sangue. Mas voltemos aos pés. Nunca dormia com os pés descobertos e acima tudo, nunca com os pés pra fora da cama. Sua fortaleza era a grande cama e sua armadura seus puídos lençóis. Confiava frouxamente em seu castelo: portas fechadas e bem trancadas mantinham os vampiros bem longe. Mas, sempre medroso, checava sua fortaleza toda noite; esta noite deixou a janela aberta, quase que à espera de algum vampiro.
Seu intrigante sonho tirou-lhe o sono. Esta noite ele veria algum vampiro face a face. Cansou-se de tanto sangue lhe enchendo as veias. Estava um aperto em seu coração--Um vampiro me faria bem , pensou sussurrando.
Do lado de fora a densa figura preenchia toda a escuridão. Parecia decidida a sugar cada gota de treva.
--Je te reconue! Gritou a vampira.
--Finalmente- disse o homem resignado- Serei levado de volta.—Beija-me! Por Deus! Beija-me!
De mãos dadas os dois saíram a povoar a noite dos sedentos – com sonhos e fantasias mal contadas – com aperto no peito e dentes mal lavados voltavam para seu ofício ancestral. Dois vampiros reunidos pela sede forçosa e dominadora. Assustariam casas e velhas viúvas; invadiriam quartos virginais e fariam sexo embaixo de lençóis paranóicos. Ambos fantasias mal vividas.

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